Guarda-chuvas - Intervenção Urbana
A primeira ação



Foto: Judivânia Rodrigues

Foi realizada no dia 14/06/2006, uma intervenção urbana, nas ruas do centro da cidade de Florianópolis, em Santa Catarina. Um grupo de nove artistas participou voluntariamente da intervenção que tinha como objetivo, desencadear através de uma ação, a reflexão e o pensamento sobre o controle que é exercido sobre os indivíduos na sociedade atual.
O projeto é de uma intervenção urbana com caráter de arte ativismo e consistiu em sair às ruas do centro da cidade carregando guarda-chuvas que continham mensagens sobre liberdade.
Seu enfoque político alerta para o contínuo estado de controle e vigilância a que toda a população é submetida atualmente. A partir do desenvolvimento tecnológico, mais intensos, sofisticados e incorporados à vida estão os sistemas de controle. A cidade de Florianópolis é um exemplo de contexto específico, porque todas as ruas do centro da cidade são vigiadas continuamente pelo sistema de câmeras de vigilância.
Atualmente é proibido por lei que pessoas acompanhem o monitoramento das câmeras e as imagens captadas das ruas vão para um arquivo que as mantém por cerca de uma semana. Se houver alguma ocorrência nesse período, é necessário localizar o dia, local e hora para que as imagens sejam recuperadas.

"Os olhos estão não apenas fora de nós, mas também fora do vivente como espécie."

Arlindo Machado

O sistema de vigilância se torna um sistema de disciplinamento, semelhante ao panóptico de Bertham. O contexto específico da cidade de Florianópolis pode ser estendido para locais públicos ou privados de várias outras cidades do Brasil e do mundo, porque a constante vigilância tornou-se uma prática comum que se incorporou ao dia-a-dia.
A definição do objeto escolhido foi um dos elementos mais importantes da intervenção: o guarda-chuva, que serviu como instrumento para interpelar o espaço e o contexto urbano de uma cidade.
O guarda-chuva foi escolhido, sob o aspecto formal, por sua forma convexa e por possuir uma ampla área para emissão da mensagem e portanto, agiu como uma mídia que emitiu e enviou mensagens ao sistema.
A intervenção foi uma proposta desenvolvida de forma coletiva e buscou através de uma ação sutil despertar a reflexão e o pensamento sobre a nossa atual "pseudo-liberdade".


Foram realizados os seguintes Guarda-chuvas:

“Ao menos ser livre…”
“…no silêncio…”
“…e na solidão.”
“Não consigo sorrir.”
“Mas renasço.”
“Não sou eu.”
“Meu tempo.”


Título: Guarda-chuvas
Intervenção urbana e performance.
Propositora: Silvia Guadagnini

Interventores:
Cássio Ferraz
Judivânia Rodrigues
Maria Costa de Araújo
Patrícia Laus
Sandra Reis
Silvia Guadagnini
Yara Guasque

Fotos da intervenção:
Aracéli Nichelle
Judivânia Rodrigues
Patrícia Laus
Ricardo Pinheiro Machado

Registros fotográficos no museu:
Édina de Marco
Gabrielle Althausen
Yara Guasque


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